Geoposicionamento, Inteligência Coletiva, Mídia Locativa, Web 2.0

O futuro nos achou. E sabia exatamente onde procurar.

Montagem a partir de fotos da Nasa e do Gizmodo

Ali pelo comecinho dos anos 90, O Vingador do Futuro, longa protagonizado pelo atual governador da Califórnia, era o assunto da vez na roda dos garotos do bairro que, talvez, tenham sido daquela última geração que ainda jogou bola na rua. A Tela Quente havia exibido o filme na véspera e uma cena, em especial, chamou bastante a atenção de Alexandre, um dos centroavantes da tradicional pelota de traves de chinela havaiana. Nela, Schwarzenegger (ou o vilão, não lembro quem) ocultava uma espécie de chip em meio às coisas do inimigo, o que permitia rastrear a sua posição num mapa que era exibido em tempo real em um dispositivo portatil. Lembro do meu colega dizendo que queria aquele aparelho para botar na sua bicicleta, para localizar caso fosse roubada. Eu ri alto e disse que aquilo não existia e que nunca existiria. A ficção científica 20 anos atrás era muito mais distante da realidade.

Até o final daquela década, eu morderia a língua ao saber dos primeiros veículos de carga rastreados por satélite. Gol do centroavante. GPS era um termo que se começava a ouvir falar mas que ninguém sabia explicar direito o que era — e ainda era algo caro, o que impedia sua utilização massiva. Com o passar do tempo, com a tecnologia ficando mais barata, inteligente e portátil, não demorou muito para que chegasse a dispositivos com interface amigável acoplados aos painéis dos carros e, principalmente, a dispositivos móveis, como aparelhos celulares, smartphones e, até mesmo, câmeras digitais. Tive um especial baque quando fui apresentado, ano passado, ao Phone Locator, software que, instalado no smartphone com sistema operacional Symbian, permitia saber, a qualquer momento, onde se localizava o aparelho. Útil para saber dos filhos, para saber se os amigos já tinham chegado ao bar de encontro e, até mesmo, em caso de roubo do celular ou sequestro do portador. Naquele dia, se fechava o ciclo iniciado com aquela conversa sobre a Tela Quente na calçada. O futuro havia chegado.

Com a popularidade de dispositivos portáteis com GPS integrado e sistemas de consulta como o Google Maps, na web, os termos relacionados ao geoposicionamento, como geotagging e georreferenciamento passaram a ficar mais próximos do cotidiano. Mesmo que muitas pessoas façam uso destes recursos sem saber a definição. O hábito de uso só exige conhecer o conceito. Na prática, é cada vez mais comum ver pessoas consultando trajetos no Maps, marcando locais em mapas pessoais ou, ainda, utilizando os GPS de seus smartphones para encontrar opções de alimentação ou lazer próximos ao local onde se encontram. As implicações disso para o Marketing e Comunicação são muitas e as perspectivas muito animadoras e isso é algo que prometo tratar num próximo post.

Produção de Conhecimento Colaborativo

Em abril deste ano, um grupo de blogueiros de Fortaleza, capitaneados por Emílio Moreno, iniciou a construção de um mapa colaborativo no Google Maps, com objetivo de demarcar a localização dos buracos nas ruas da cidade, num caso que, ao mesmo tempo, exemplifica o conceito de geotagging e, simultaneamente, se mostra como excepcional exemplo de Inteligência Coletiva, numa demonstração clara da web 2.0 e seus recursos de colaboração empregados em torno da resolução de problemas. A Secretaria Regional 2, da cidade de Fortaleza, afirmou poucos dias depois que estava acompanhando o mapa e utilizaria como referência para cobrir os buracos em sua área de atuação.

Seja quanto à perspectiva da produção de conhecimento com referenciamento geográfico ou, ainda, quanto às formas de utilizar as ferramentas de geolocalização e geotagging numa perspectiva de negócios ou de comunicação (imagine, por exemplo, uma rede de lojas que coloque suas unidades referenciadas num mapa, de forma a permitir que o cliente localize aquela mais próxima de onde se encontra), o que é impossível desprezar é que, cada vez mais, a relação das pessoas com mapas e informações georreferenciadas se consolida, se torna mais frequente e presente: celulares com GPS não são mais luxo, carros já saem de fábrica com seus GPS instalados. Algumas ações utilizando conceitos de Realidade Aumentada Outdoor, inclusive, já conseguem, com base nestas informações, mudar a forma como as pessoas se relacionam com o espaço urbano, implicando mudanças de comportamento social, expandindo as experiências do mundo real.

O exemplo abaixo é um projeto artístico de Bruno Vianna, que demonstra o uso da Realidade Aumentada Outdoor de maneira bem didática. Isso em 2007! O que nos traz a reflexão de que ao contrário do que eu pensava quase 20 anos atrás, que tudo era ficção científica, o futuro chegou depressa e vem cada vez mais rápido.


(vi este vídeo pela primeira vez no Carnet de Notes)

Gabriel Ramalho (Gabs) é publicitário e designer com particular experiência em Comunicação Integrada e Mídias Digitais, Planejamento e Execução de ações de Comunicação Interna e Análise de Planos de Mídia Web.

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