Comunicação, Marketing, Planejamento

Planejando para a Web – parte 1

planejamento

Muitos clientes acabam não instigando suas agências a inserir a web em seus planos de comunicação até por desconhecimento das possibilidades que a Internet pode oferecer ao seu serviço e das vantagens quanto à segmentação, acompanhamento de métricas e mensuração de resultados. Ainda é comum a percepção de que estar na Internet é tão somente possuir um site e alguns até incorrem em erros básicos como a escolha de modelos de publicidade invasiva, sendo a compra de listas de e-mails não-autorizados a mais comum.

 

Não que seja culpa exclusiva dos clientes. Talvez caiba a nós um mea culpa, já que em muitos casos, acabamos não fazendo muita coisa para mudar esta percepção no Mercado. Conhecer as possibilidades e poder defender seu uso é essencial para que os clientes encarem a web como oportunidade, em vez de como custo adicional.

 

Como na mídia tradicional, qualquer planejamento de comunicação para a Web requer conhecimento de informações estratégicas que vão ajudar a descobrir oportunidades, identificar e localizar os públicos de interesse, escolher suportes adequados e, de posse disto, organizar sua ação de forma a melhor aproveitar os suportes e canais disponíveis para a emissão de sua mensagem.

 

Muitas vezes se vê por aí gente adaptando fórmulas e técnicas utilizadas em outros países e contextos ou trazendo indicadores de fora para orientar suas campanhas de comunicação. Algumas vezes, mesmo na mídia offline e de massa, que geralmente busca um alcance mais universal em detrimento da segmentação, uma não-preocupação com a regionalização da mensagem ou com as idiossincrasias de cada mercado pode acarretar em alguns escorregões desconfortáveis. Saber como se municiar de informações sobre o seu público, comportamento, hábitos e aspectos culturais e como interpretar alguns indicadores é fundamental para acertar no planejamento, com o mínimo de riscos e com a melhor perspectiva de resultados.

 

Este post, portanto, vai iniciar uma série com objetivo de apresentar algumas informações interessantes e lançar debates sobre a comunicação, especialmente a Publicidade, na web. Ao final, quero ter apresentado indicações de serviços que podem ser úteis para auxiliá-lo no seu planejamento de comunicação na Internet; análise de tendências de busca para identificar oportunidades; métricas e critérios para a montagem de um bom plano de mídia web; formas alternativas de comunicação e publicidade com otimização de custos e formas de explorar a segmentação nas suas ações. Estas informações não devem ser usadas necessariamente como regra, mas como sugestão de caminhos a seguir. Há sempre alguns atalhos, claro, mas o caminho conhecido costuma quase sempre ser o mais seguro.

 

Para esta primeira parte, vamos abordar a utilização de um serviço gratuito para ajudar a municiar de informações seu planejamento, permitindo conhecer os hábitos de seu público a partir da interpretação de indicadores e tendências.

 

ONDE ANDA SEU PÚBLICO?

Quer conhecer os hábitos de navegação de algum país específico? Quer saber a posição de determinado site dentro da audiência de Internet de um país qualquer? O Alexa pode ser uma excelente ferramenta para isso. Através do serviço, pode-se conhecer hábitos de uso da Internet a partir de rankings de sites, com possibilidade de segmentar por país. Lá, também, se tem rápido acesso a percentagem de acessos que cada país representa aos sites mais populares. Ainda, através de um cálculo que desconheço, é possível chegar a um grau de detalhamento por sexo, escolaridade e faixa etária, ainda que de vez em quando se esbarre em alguma incongruência. Informações sobre taxa de rejeição, tempo de permanência no site e penetração da navegação (quantidade de páginas vistas por acesso) também estão a um clique de distância.

Tela do Alexa com lista dos 500 sites mais acessados globalmente

 

 Analisando-se, por exemplo, o ranking brasileiro pode-se depreender bastante coisa, apenas utilizando os dados estatísticos disponíveis. As análises a seguir são meras interpretações de dados, mas já servem para demonstrar o potencial da ferramenta como referência em seu planejamento. Ao mesmo tempo, fique claro que não apresento os dados de audiência destes sites como defesa para a utilização irrestrita destes canais em seus planos de comunicação. O que pretendo aqui é apresentar as possibilidades de estudar hábitos dos internautas e identificar oportunidades através deste serviço:

 

1. O uso de Internet no Brasil tende para a sociabilização

Orkut

Observe que, entre os 10 primeiros resultados, figura o Orkut.com.br na segunda posição e o MSN.com na oitava. O brasileiro usa a Internet para sociabilizar e o Orkut é a rede social de maior sucesso por aqui. Aprofundando mais a análise, verifica-se que o Brasil é responsável por 97,6% dos acessos ao domínio .com.br do Orkut e por quase 20% dos acessos ao domínio .com, atrás apenas da Índia, no segundo caso. No primeiro domínio, o brasileiro passa cerca de 42 minutos por dia e está distribuído, principalmente, na faixa etária de 18 a 34 anos. Sobre o MSN, uma análise dos acessos permite observar que o Brasil é o segundo país que mais utiliza o site, atrás apenas dos EUA.

 

2. Compartilhamento de arquivos ou pirataria?

O brasileiro utiliza muito os sites de compartilhamento de arquivos. Se para trocar arquivos com amigos ou para baixar filmes ou músicas, não se diz. O fato é que, entre os 20 sites mais acessados do Brasil, figuram o Rapidshare (14º no Brasil, 16º mais acessado no resto do Mundo) e o 4Shared (15º no Brasil, 92º no resto do Mundo). Sobre o segundo site, ainda sabe-se que 16,8% dos acessos vem do Brasil, sendo este o primeiro colocado nos acessos. O perfil dos downloaders brasileiros, segundo o site, concentra-se na faixa etária de 18 a 24 anos

 

3. Vídeos no computador

Eu falo em vídeo e você pensa no Youtube, certo? O site é o sexto mais acessado Brasil e o terceiro globalmente. O Alexa permite, inclusive, analisar a fonte das origens dos acessos. Globalmente, Google, Facebook, Yahoo e MSN são os que mais remetem usuários ao site. Opa, pera lá… duas redes sociais? Pode-se tirar daí que redes sociais são um local bacana para divulgar um viral ou seria devaneio? Quem nunca recebeu um link para um vídeo no Youtube de um contato do MSN, que atire o primeiro mouse.

 

4. Características nacionais 

Alguns pontos que são interessantes ressaltar sobre os hábitos brasileiros na web, a partir da análise destas informações:

1. Orkut é a rede social brasileira por excelência. O Facebook, por exemplo, terceiro site mais acessado do Mundo e rede social mais utilizada globalmente, ocupa aqui apenas a 39ª colocação. Na Argentina, aqui do lado, por exemplo, a posição do Facebook é a mesma do ranking global. Quanto ao Orkut, a posição global do seu domínio .com é um vergonhoso 123º lugar.

2. O brasileiro, em teoria, usa mais o Twitter que o Facebook.  O Twitter é o 25º site no ranking brasileiro. Segundo o Alexa, o brasileiro passa mais por ali do que pela Americanas.com, uma das maiores lojas virtuais brasileiras.

3. MercadoLivre é a nossa loja virtual. O site de leilões aparece, segundo dados do Alexa, em 13º lugar, à frente da Americanas.com (26º no ranking brasileiro) e do Submarino (29º). Os portais UOL e Globo.com são as fontes de informação mais utilizadas, 5º e 7º, respectivamente, tendo o Yahoo, em 9º, colado logo atrás.

 

Atentem que estas informações são as disponibilizadas pelo Alexa e servem como referência, mas não como verdade absoluta. Informações mais confiáveis sobre as audiências são as que podem ser consultadas em ferramentas específicas, como o Analytics, dentro dos servidores dos sites. Mas mesmo que não sejam verdades absolutas, as informações aqui listadas permitem entender um pouco mais das particularidades do nosso Mercado, frente ao do resto do Mundo e criar ações cada vez mais direcionadas à nossa realidade. Entender o rumo do vento nos lados de cá. Façam bom uso das referências aqui listadas.

 

Na próxima parte desta série, falarei da análise de tendências de busca e como isso pode ajudar a identificar oportunidades, sobretudo em campanhas de links patrocinados e SEO.

 

Enquanto isso, usem o espaço dos comentários para debater este artigo. Opiniões contrárias às minhas, desde que educadas, são totalmente encorajadas.

Gabriel Ramalho (Gabs) é publicitário e designer com particular experiência em Comunicação Integrada e Mídias Digitais, Planejamento e Execução de ações de Comunicação Interna e Análise de Planos de Mídia Web.

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