Publicidade, Tecnologia

Yahoo sai do negócio de buscas

 

 

No New York Times de domingo passado, uma interessante matéria sobre a decisão do Yahoo em vender sua ferramenta de busca à Microsoft em troca de 88% da receita nos anúncios veiculados nas buscas, em acordo de 10 anos, não recebeu, acredito, a devida repercussão por aqui.

 

 

Segundo a CEO do Yahoo, Carol Bartz, o Yahoo não conseguia acompanhar o ritmo de investimentos que Google e Microsoft faziam no mercado de buscas, negócio complexo e, ao mesmo tempo, com altos custos de marketing e infra-estrutura associados. Estima-se que apenas a Microsoft tenha desembolsado mais de 2 bilhões de dólares para lançar o Bing. Ao reduzir estes custos, o Yahoo planeja investir em serviços de entrega de anúncios, conteúdo e tecnologia de serviços móveis. Calhou de o objetivo do Yahoo no momento ser o de aumentar sua participação em audiência enquanto à Microsoft interessa incrementar a base de dados de seu novo serviço de busca. Ambas almejam enfrentar o Google nos dois cenários.

 

 

Até pouco tempo atrás, lembre-se, o Mercado de buscas era considerado extremamente promissor e serviços desta natureza, minas de ouro. Mas há de se observar que mesmo o Google só conseguiu passar a ser lucrativo após investir em publicidade semântica e contextual (serviços como o Adwords e Adsense, por exemplo) e utilizar sua vasta base de usuários para possibilitar a segmentação da veiculação. Quem vê o Google como uma empresa de tecnologia ou motor de busca, apenas, precisa atualizar sua percepção e vê-lo como é hoje: um Gigante da Comunicação. Uma empresa que redefiniu os modelos de veiculação e cobrança de publicidade na Internet, assunto que era objeto de calorosas discussões nem tanto tempo atrás.

 

 

A partir daí, percebe-se que a decisão do Yahoo em vender seu serviço de buscas em troca de boa percentagem na receita de veiculação de anúncios nos resultados, em vez de larga soma em dinheiro, não tem nada de boba, uma vez que os custos de infraestrutura serão todos bancados pela Microsoft. Por mais que a decisão não tenha agradado seus investidores, por 10 anos o Yahoo terá receita para investir nos seus outros focos. Pode até não precisar mais acompanhar o passo dos investimentos em Serviços de Busca, mas investir em serviços de entrega de anúncios é igualmente desafiador. A favor do Google, a sua base de usuários e excelentes ferramentas publicitárias. A aposta do Yahoo, se bem conduzida e a depender da adesão do Bing, pode atingir o Google onde as empresas são mais sensíveis: o bolso. É esperar para ver como se desenrolará esta briga de cachorro grande.

 

 

º

Gabriel Ramalho (Gabs) é publicitário e designer com particular experiência em Comunicação Integrada e Mídias Digitais, Planejamento e Execução de ações de Comunicação Interna e Análise de Planos de Mídia Web.

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