No primeiro post desta série, uma questão ficou em aberto de propósito: O que as empresas pensam sobre as redes sociais e seus riscos e como gerenciá-los de forma eficaz? Vamos às respostas dadas pelas próprias empresas, então.
Li recentemente no ótimo A Quinta Onda, de Mauro Segura, a informação sobre a publicação de um whitepaper chamado “Social Media: Embracing the Opportunities, Averting the Risks” (em tradução literal, Mídias Sociais: Abraçando as Oportunidades, Prevenindo os Riscos), desenvolvido pela agência Russel & Herder e pelo Ethos Business Law e baseado em entrevistas com 438 executivos norteamericanos, que traz alguns dados bem interessantes e elucidativos.
Por exemplo, constata o reconhecimento de expressiva parte dos executivos sobre a importância das redes sociais na construção de imagem e reputação da marca (81%), na melhoria do relacionamento com os clientes (81%), na prestação de serviços aos seus públicos (64%), como ferramenta de recrutamento (69%) e para melhorar o moral dos funciomários (46%).

Valor percebido das mídias sociais pelas empresas | Fonte: Relatório “Social Media: Embracing the opportunities, adverting the risks”
Claro que os riscos existem e isso é uma percepção de 81% do público entrevistado, mas há também entre os executivos a confiança nas redes sociais como ferramentas estratégicas de comunicação interna e externa. De onde vêm esta percepção dos riscos, então, e como diminuí-los ao máximo, dentro de uma estratégia de presença digital e uso das redes sociais? Vamos aos dados e as defesas:
Mesmo considerando a importância das redes sociais, 40% das empresas cujos executivos foram entrevistados bloqueia o acesso dos usuários às redes sociais com argumentos como preocupação com riscos quanto à confidencialidade das informações e segurança (40%), medo de queda na produtividade (37%) ou de prejuízo para a reputação da empresa (51%).
Motivos indicados pelas empresas para não utilizar redes sociais | Fonte: Relatório “Social Media: Embracing the opportunities, adverting the risks”
Claro que, dentro das redes sociais, os colaboradores se expõem a riscos de segurança, como vírus, malwares e roubos de senhas, mas não se pode culpar os serviços. Se hoje há mais ataques de hackers dentro de redes sociais, isso se deve a um único fato: ladrão vai aonde a vítima está. E hoje a maior parte do tráfego na Internet se dá ali. Navegar na Internet, assim como andar na rua, exige a tomada de certos cuidados, independente dos serviços utilizados.
Sobre o argumento da produtividade, alguns estudos apontam o contrário, com uma diferença favorável de até 9% em relação à produtividade dos colaboradores que usam redes sociais. Os motivos são a facilidade em conseguir mais informações, inclusive estratégicas, e internalizá-las, a possibilidade de dirimir dúvidas com colegas de profissão nas redes, possibilidade de identificar oportunidades e os próprios benefícios para a saúde mental com as famosas “pausas para desopilar”. Claro que não devem haver excessos, também. Mas, para regular a respeito disso, existem as políticas de uso.
Apesar de tudo, 51% assumem não adotar políticas de uso de redes sociais por simplesmente desconhecer o assunto ao passo que 14% reconheceram estar planejando sua inserção nestes espaços e liberação de uso pelo corpo funcional. De fato, entre as empresas que já fazem uso, há uma projeção de 73% quanto ao aumento da presença nas redes sociais para o próximo ano e de 25% quanto à manutenção de suas atuais ações, o que comprova, no mínimo, um reconhecimento quanto aos benefícios. As razões apresentadas para o uso foram as seguintes, em ordem: construção de marca, networking, atendimento ao consumidor, compartilhamento de informação corporativa, monitoramento da concorrência, prospecção de venda e pesquisa.
Razões para o uso das mídias sociais, segundo as empresas | Fonte: Relatório “Social Media: Embracing the opportunities, adverting the risks”
Por fim, uma preocupação é sempre necessária e válida, principalmente depois de termos listado as três maiores preocupações, na interpretação das empresas (segurança, produtividade e reputação). E uma solução eficaz parece ter sido até o momento não a de cercear a presença dos colaboradores nas redes sociais mas, sim, a de normatizar esta presença com orientações de uso e de conduta, algo semelhante ao que o Grupo Folha e a Rede Globo fizeram com seus colaboradores, orientando, por exemplo, a não emitir opiniões políticas, não “furar” os veículos jornalísticos e não divulgar informações confidenciais. Na prática, recomendações que já existiam na vida real mesmo antes das mídias sociais.
Documentos normativos eficientes evitam os riscos de segurança ao apresentar medidas preventivas, estimulam a produtividade ao defender o uso responsável e eliminam riscos de prejuízo de imagem ao normatizar sobre a conduta nas redes sociais, entre outras coisas.
Algumas empresas, como a IBM e a Intel, destacam a importância das redes sociais e possuem guias internos com orientações sobre o uso e a conduta nestes espaços. São excelentes leituras para empresas que querem entender de vez como aproveitar estes novos espaços que se apresentam como promissoras ferramentas negociais e de comunicação e como permitir a participação de seus colaboradores ali, diminuindo os riscos institucionais e de segurança.

[...] This post was mentioned on Twitter by Gabriel Ramalho. Gabriel Ramalho said: Tempos Modernos | Por que as empresas têm medo das redes sociais – parte 2: http://bit.ly/JD8X6 [...]
[...] o uso de mídias socias nas organizações, algo coerente com algumas observações do post anterior deste blog; [...]