Redes Sociais

Mídias Sociais funcionam. Mais que isso: mobilizam.

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Quem ainda tem dúvidas da eficácia das mídias sociais acaba de ganhar mais um exemplo para tentar contrapor sua opinião. Uma historinha rápida que pode demonstrar muito bem o poder destas mídias é esta, bem recente.

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Ontem, por volta das 11 da manhã, fui informado que o amigo Emílio Moreno havia perdido uma causa que enfrentava desde 2008, que era de conhecimento dos amigos, apenas, pois o mesmo optou por guardar segredo, esperando uma justa resolução. Naquele ano, em um post que relatava uma confusão ocorrida em um colégio conhecido da capital cearense, um internauta anônimo comentou o artigo, criticando a atuação da diretora da escola, freira Eulália Maria Wanderley de Lima, na mediação do conflito.

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O que aconteceu a seguir parece, num primeiro momento, saído de um filme do Buñuel e, num segundo momento, extraído de um conto de Kafka: o advogado da diretora solicitou ao Emilio a retirada do comentário, no que foi prontamente atendido e solicitou, sem nenhum amparo legal, que Moreno quebrasse a privacidade dos comentaristas e informasse o nome do autor, mesmo sem ordem judicial. O advogado propôs, informalmente, algo ilegal. O blogueiro não o fez de imediato pois desejava consultar inicialmente o Sindicato dos Jornalistas para pedir orientações quanto a isto. (agradeço ao Germano Vale, advogado, que corrigiu as informações deste parágrafo nos comentários, a respeito do aspecto legal ou não da solicitação do advogado da diretora.)

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Mesmo que tenha apagado prontamente o comentário e oferecido direito de resposta, a diretora entrou com um processo por danos morais. A vítima, no entanto, não era o autor do comentário mas, sim, o dono do blog. Mesmo que, sob mandado judicial, o provedor de acesso tivesse como identificar o verdadeiro autor da mensagem difamatória. Resultado: o blogueiro foi condenado em 16 mil reais. Mais sobre a história está no post em meu outro blog, o primeiro sobre o assunto.

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Como falei por lá, a condenação, em si, era de um absurdo impressionante. Responsabilizar o dono do blog pelo comentário postado é como responsabilizar o dono de um boteco pelas conversas dos bêbados. Mas em um país que tirou o Youtube do ar por conta de um vídeo enviado por um usuário, o que esperar? A justiça ainda não parece preparada para julgar questões como estas. Sem contar que o blogueiro não tem no blog uma fonte de renda. É apenas um veículo informativo pessoal.

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Ainda na manhã de ontem, postei o artigo no meu blog. Seguiu-se uma postagem no Twitter e uma motivação para que as pessoas passassem adiante o acontecido, para que fizéssemos mais gente tomar conhecimento. O fato era absurdo demais para que passasse em branco e, em defesa da liberdade de expressão e contra a injustiça ocorrida, as pessoas passaram a retuitar a mensagem.

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Alguns hubs aderiram à causa, aumentando ainda mais a quantidade de retuitagens da notícia. Antes de 2 da tarde, a mensagem era uma das 5 mensagens mais retuitadas no Brasil, segundo dados do BlaBlaBra. Segundo os dados do Tweetreach, a mensagem naquele momento já tinha alcançado cerca de 60 mil pessoas. Fato é que apenas o link original acabou trazendo cerca de 4 mil acessos ao blog, comprovando a eficácia, o engajamento e o apoio dos internautas. Algo que me deixou muito confiante em relação à Internet brasileira, uma vez que a causa dizia respeito a todos nós que produzimos conteúdo na web. As redes sociais estimulam a propagação de causas, constatado mais uma vez.

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Na manhã de hoje, a surpresa de que a repercussão do caso foi tão grande que virou matéria na capa do G1, tendo sido a segunda matéria mais lida do dia. A mídia social, assim, pautou um veículo ligado à mídia tradicional. A notícia também foi destaque no blog de Rosana Herman no R7, e em portais relacionados ao jornalismo, como o Portal Imprensa e o Comunique-se. Além disso, tuiteiros criaram a hashtag #freeemilio, com objetivo de agregar as informações referentes ao processo. Até o momento, uma busca pelo nome da autora do processo retorna cerca de 25.500 resultados no Google. A maioria destes referentes ao processo. A maioria, de ontem para hoje. Nem toda uma vida voltada à prática do bem (que é o que se deve esperar de uma religiosa) pode apagar a imagem negativa que a freira projetou de ontem para hoje para milhões de brasileiros (somadas as audiências de todos os canais) ao ser algoz de uma injustiça deste tamanho. O mais sensato seria reconhecer o erro, praticar o perdão e abrir mão do processo. Mas não creio que isso vá acontecer, infelizmente.

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Se havia alguma dúvida quanto à eficiência das mídias sociais e do aproveitamento delas para mobilização e difusão de causas, acho que este exemplo ajuda a mostrar que, à margem do poderio da mídia de massa, do poderio econômico da censura e dos processos baseados em absurdos e precedentes legais duvidosos, há sempre o poder das massas com seus canais próprios para protestar e demonstrar sua insatisfação com as injustiças. Os canais para fazer com que os acostumados à ordem antiga das coisas (e aos acostumados à censura, sob a máscara da “defesa contra danos morais”) percebam que, na Internet, a informação circula livremente e qualquer tentativa de cercear recebe, de milhares de pessoas, uma resposta à altura da defesa de seus direitos. O processo foi ganho para a freira, mas para os milhões de internautas, a vítima dos danos morais é Emílio Moreno.

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Qualquer sugestão de ajuda ao blogueiro, nos comentários, é bem-vinda.

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Gabriel Ramalho (Gabs) é publicitário e designer com particular experiência em Comunicação Integrada e Mídias Digitais, Planejamento e Execução de ações de Comunicação Interna e Análise de Planos de Mídia Web.

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